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Rompante

E essa chuva forte que cai, com seus trovões e raios todos encharcados de medo?

Sorrateiro, sozinho, eu curto essa letargia trancado no meu quarto

Imerso na solidão que me acompanha – e que faz de mim sua sina – eu choro

Em outros invernos, com você estive, naqueles dias de glória

E hoje, nesse inverno que se inicia, você está distante

Seria muito pedir somente seu colo, pra eu me achegar?

Pra deitar minha cabeça, sentir seu calor, chorar de alegria

Contar minhas mágoas, meus insucessos, meus problemas?

Seria muito pedir somente ouvir um pouquinho sua voz?

Sozinho, nesse quarto, eu curto a nostalgia de ter-te cá comigo

O cheiro do inverno só me traz recordações suas

A umidade que se instala propaga-se em meu coração

Sou todo desejos, sou todo saudades

E onde é que está você agora?

 

Em 17 fev 2012

Que estou cá a fazer nessa minha senda

Marcada por desesperos, senões e fugacidade

Onde se meteu meu juízo, minha razão, meu prumo?

Eu estou avariado das minhas funções básicas

Meu mainframe foi invadido

Não comando mais meus atos

Estou infectado por um vírus

Meu coração foi todo tomado

E que sem fazer sem você, baby?

Seu amor dói, fere, rejubila-me

Tenho lá culpa se o coração perdoa…

Amar-te-ei como nos filmes,

Ainda que isso doa

E amar-te-ei de verdade,

Sendo só seu.

 

Em 12 fev 2012

Falta

Quando a falta que tenho de você aflora

Perco as estribeiras, quebro os protocolos

Deixo de viver – somente pra lhe viver

E que é que adianta isso tudo?

O mundo um dia não vai se acabar?

Não iremos morrer?

O céu não despencará em raios e trovões?

Que me importa…

Quero apenas amar-te,

Ainda que doa.

 

Em 05 fev 2012

Meu poema é animado

eu choro e rio vendo essas letras

vontade de navegar em rios turvos

e de vomitar palavras tolas

vontade de perder-me na escrita

de dizer a você tudo que está engasgado

vontade de só amar-te

 

Em 29 jan 2012

A vida – o que ela é, senão, vários grãos de areia no universo?

E o que fazemos nós, senão, desesperadamente,

Pintar de colorido esses grãos de areia…

Ansiando por dias melhores, por futuros possíveis

Esperando que melhoras virão, que o bem floresça

Acreditando na promessa de uma longa jornada

Regada com pequenos filetes de esperança

E, parando pra pensar, eu me pergunto:

Você se lembra de tudo que vivemos?

Das infinitas cores que a gente misturou

Pra pintar os grãos de areia que compõem nosso universo?

Do trabalho que tivemos, juntos,

Pra misturar cores, tons e nuanças

Pra deixar mais multicor o nosso pequeno universo?

Você se lembra das renúncias que fizemos?

Daquilo que abnegamos em função da vida a dois

Do preocupar-se um com o outro,

Do querer bem demasiado, mesmo à grande distância?

Será pedir muito que você se lembre

Das nossas noites quase em claro, jogando conversa fora,

Só escutando um ao outro no escuro do nosso colchão

E dormindo abraçados, apertados, olhando pra nossas estrelas?

Posso pedir para o inverno voltar?

Para ter de novo aquele friozinho gostoso

Onde a gente dormiu a primeira vez, ansiosos pelo outro dia,

Sem saber direito onde isso tudo ia dar,

Só querendo mesmo estar juntos…

Posso pedir para a chuva riscar de novo esse sertão

Pra trazer novo ânimo a todas as gentes

E o verde para todas as serras e terras

E pra renovar nossas esperanças no amor?

Posso pedir que você esteja sempre comigo?

Porque meus joelhos são fracos para se sustentarem sozinhos

E minhas mãos não serão tão fortes sem as suas para segurá-las

E ao menos terei força pra andar, sem seu amparo…

Desculpe-me se apareci em sua vida sem ser convidado

Não consegui evitar entrar assim, desesperado,

Fomos forjados naquela noite de inverno, lembra?

Eu simplesmente não consegui evitar

E inda tenho esperança, cá comigo,

Que a gente possa pintar vários grãozinhos de areia no universo

E que a gente possa ser, também, dois grãozinhos de areia

No nosso universo

 

03 jan 2012

O amor

As flores que lhe dei

Os vendavais que passei

As cicatrizes doem

Os olhos choram

E as palavras falam

De você

 

O inverno que vivemos

O beijo que me roubaste

As noites agarrados no frio

O verde ao longe, a chuva na serra

A incerteza do ver-te de novo

 

A lembrança do seu sorriso

Do calor do seu colo

Dos seus olhinhos apertados

Beijos que você me deu

Janelas que você abriu

Você se lembra de tudo?

 

Ele dura, flameja e fere

Arrebata-me no dia-a-dia

Esquenta minha cama vazia

Acalma a opressão de não te ter

Faz-me agarrar nos sonhos

Não se esqueça dele – do amor

 

E das flores que lhe dei

Dos vendavais que passei

Das cicatrizes que guardei

Das lágrimas que derramei

Das palavras que lhe falei

E do meu amor que te dei

E que é só seu

 

22 dez 2011

Em nossos 11 meses

Perdido nesse ônibus, indo ao meu sertão

Já sinto sua falta, ainda que aborrecido

Por que você não quer namorar comigo?

Namorar de verdade!

Com todos os pingos, is, acentos, vírgulas?

Por que as coisas não são mais que nem no começo, meu bem?

Essa sua raiva quando eu discuto o sexo me enerva

E faz-me querer chegar mais perto, bem mais perto

Você se lembra de quando me seduziu naquele inverno?

Com palavras bonitas e cheias de carinho

Misturadas com aquele inverno sertanejo…

Você não se lembra?

 

Eu queria tanto que essa invernada voltasse

E que as coisas fossem diferentes, meu bem

Mas, nem tudo é como a gente quer

Você não se lembra de nossos primeiros passeios?

Curioso como você me deixa desse jeito,

Prostrado, entregue, dado…

Há coisa mais abnegada que viver esse amor?

Queria arranhar a chuva

Quebrar o trovão

Sentir a brisa cálida

Ouvir o som dos coqueiros se mexendo

Com você no meu colo, na rede, deitados

Haverá alguém como você em minha vida?

Não se esqueça, por favor, meu bem…

Não há ninguém em minha vida como você

 

No caminho para o sertão – 05 dez 2011.

Sem título

A dor da saudade

A distância

Cada vez que penso em ti, dói…

Aqui dentro tuas memórias, teus fragmentos

Despedaçado de tristeza

A distância

Atormenta, traz lembranças, estreita  laços

Quero você perto de mim

Cada centímetro quadrado do seu corpo

E cada centímetro cúbico de sua alma

Meu amor

 

08 set 2011

Dois em um

Essa noite que não passa

Os trabalhos que se assomam diante de mim

A correria, o cansaço, a dor de cabeça,

A inquietude que esse calor me traz

E, num momento mágico os acordes todos

Fazem-me lembrar de você, seu odor, seu calor

Recordo-me que estás sozinho aí no seu mundo

E eu, quebrado das pernas por não poder estar aí,

Lamento a impossibilidade de ter minha boca colada na sua

E acho que você já se tornou, desde então,

Algo tão importante na minha vida, sabia?

Porque o que eu mais queria, lhe juro, meu bem,

Era poder estar contigo, respirar o mesmo ar que você,

Aguentar suas chatices e seu jeito positivo de ser…

Desfrutar de seu carinho, suas palavras meigas, seu olhar

Mas, sozinho, na imensidão desse meu quarto,

Que posso eu fazer, então, senão pensar em ti

E amar-te, cada vez mais, desejando ser célere

Aquele instante, depois de amanhã,

Quando novamente serei um só com você…

 

10 nov 2011

noite escura

e o calor que senti contigo já se foi

refém da louca saudade que me abate

viajo nos pensamentos em busca de teu cheiro

sozinho, enclausurado em minha memória

a lembrança – tua, só tua, somente tua

de quando me fita com seus olhos apertados

 

esse mar carregado de lembranças me prende

obscura, essa minha noite nem bem começa

e faz meu coração fisgar de melancolia

amarrado nesse sentimento estranho me vejo

toco os lençóis ainda embebidos em teu cheiro

 

meu desejo mais profundo toma corpo

mas, se a fonte dele não está comigo, aqui,

que poderei eu, sozinho, fazer?

rememoro, um a um, os momentos

 

sou teu, e me basta

dormiria tranquilo, hoje,

ouvindo, nem que fosse tua voz

serena, quente, forte

tua – e minha

 

01 out 2011

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