A vida – o que ela é, senão, vários grãos de areia no universo?
E o que fazemos nós, senão, desesperadamente,
Pintar de colorido esses grãos de areia…
Ansiando por dias melhores, por futuros possíveis
Esperando que melhoras virão, que o bem floresça
Acreditando na promessa de uma longa jornada
Regada com pequenos filetes de esperança
E, parando pra pensar, eu me pergunto:
Você se lembra de tudo que vivemos?
Das infinitas cores que a gente misturou
Pra pintar os grãos de areia que compõem nosso universo?
Do trabalho que tivemos, juntos,
Pra misturar cores, tons e nuanças
Pra deixar mais multicor o nosso pequeno universo?
Você se lembra das renúncias que fizemos?
Daquilo que abnegamos em função da vida a dois
Do preocupar-se um com o outro,
Do querer bem demasiado, mesmo à grande distância?
Será pedir muito que você se lembre
Das nossas noites quase em claro, jogando conversa fora,
Só escutando um ao outro no escuro do nosso colchão
E dormindo abraçados, apertados, olhando pra nossas estrelas?
Posso pedir para o inverno voltar?
Para ter de novo aquele friozinho gostoso
Onde a gente dormiu a primeira vez, ansiosos pelo outro dia,
Sem saber direito onde isso tudo ia dar,
Só querendo mesmo estar juntos…
Posso pedir para a chuva riscar de novo esse sertão
Pra trazer novo ânimo a todas as gentes
E o verde para todas as serras e terras
E pra renovar nossas esperanças no amor?
Posso pedir que você esteja sempre comigo?
Porque meus joelhos são fracos para se sustentarem sozinhos
E minhas mãos não serão tão fortes sem as suas para segurá-las
E ao menos terei força pra andar, sem seu amparo…
Desculpe-me se apareci em sua vida sem ser convidado
Não consegui evitar entrar assim, desesperado,
Fomos forjados naquela noite de inverno, lembra?
Eu simplesmente não consegui evitar
E inda tenho esperança, cá comigo,
Que a gente possa pintar vários grãozinhos de areia no universo
E que a gente possa ser, também, dois grãozinhos de areia
No nosso universo
03 jan 2012